Quando anunciaram Ultimate Marvel vs. Capcom 3,
muita gente ficou com um pé atrás. Lançar a nova versão de um jogo que
chegou aos consoles há menos de um ano soa estranho, principalmente em
tempos em que patches de correção e DLCs são tão comuns.
Por outro lado, o estúdio prometeu uma dúzia de novidades, o que fez
com que os fãs do crossover ficassem ansiosos com o que estava por vir.
Com 12 novos personagens e outras melhorias significativas naquilo que
já era bom, a Capcom tinha tudo para trazer um título ainda melhor. Mas será que as adições fazem valer o preço?
Aprovado
Uma dúzia de razões
É inegável o fato de que os 12 lutadores adicionados ao elenco de
Ultimate Marvel vs. Capcom realmente fazem o título valer a pena. O
interessante é que entre novatos e velhos conhecidos dos fãs, temos
guerreiros bem diferentes e que trazem novas opções de jogabilidade aos
combates.
É o caso de Phoenix Wright, que possui três estilos de luta bem
distintos, o que interfere nos tipos de golpes utilizados. Além disso,
muitos de seus ataques são baseados na coleta de evidências, assim como
acontece em seus jogos para Nintendo DS.
Outro personagem que deve surpreender é Rocket Raccoon, o guaxinim
espacial dos quadrinhos da Marvel. Apesar de ser desconhecido do grande
público, seus movimentos são interessantes e sua agilidade permite a
criação de combos extensos e poderosos.
Os demais lutadores também possuem seu charme, principalmente por conta
de seus ataques variados, como Nemesis e Motoqueiro Fantasma. Além
disso, ao contrário do que muita gente imaginava, a estreia de Vergil
vai muito além de “uma nova roupa para Dante”, já que o vilão de Devil May Cry 3 possui um estilo próprio e bem diferente do de seu irmão.
Ampliando as arenas
Se você se incomodou com os poucos cenários de Marvel vs. Capcom 3,
pode comemorar. A versão Ultimate dobra a quantidade de estágios
disponíveis, trazendo 18 opções de locais para que os heróis e vilões
dos dois universos quebrem o pau.

O que mais chama a atenção, no entanto, é o fato de que há muita referência a jogos antigos e grandes sagas dos quadrinhos. O maior exemplo disso é Days of Future Past, que traz elementos da história “Dias de um Futuro Esquecido”, publicada na década de 80. Já em Shadowland (inspirado em “Terra das Sombras”), temos uma pequena homenagem a Mortal Kombat, em que o herói Demolidor assiste à luta da mesma forma que o imperador Shao Khan.
Analisando os oponentes
Uma das grandes falhas do game lançado em janeiro era a falta de um
modo espectador para as partidas online. Ao entrar em uma sala, você era
obrigado a ver dois cartões se chocando enquanto esperava sua vez, sem a
possibilidade de acompanhar o estilo dos demais competidores.
Em Ultimate Marvel vs. Capcom 3, isso é corrigido e ganha até mesmo
algumas opções diferenciadas para agradar a todos os tipos de jogadores.
Se sua conexão não é das melhores ou você simplesmente não tem
paciência para ver outras pessoas caindo na porrada, basta desligar o
recurso para voltar ao que já era feito em Fate of Two Worlds.
Por outro lado, a Capcom trouxe também uma forma de satisfazer aquelas
pessoas que não querem jogar, mas apenas conferir como outros usuários
lutam. Apesar de parecer um recurso desnecessário, isso é muito útil na
hora de aprender novas estratégias de combate com determinado personagem
ou para dar uma pausa da jogatina sem sair da sala.
Reprovado
O vilão mais chato do mundo
Um dos principais deslizes Marvel vs. Capcom 3 era a falta de modos
diferentes para variar a jogabilidade do game. Em Ultimate MvC 3, o
estúdio voltou atrás e adicionou uma das maiores exigências dos fãs: uma
forma de controlar o vilão Galactus. Sinceramente, preferia que o jogo
continuasse sem esse modo extra.
Apesar de a ideia de jogar com o Devorador de Mundos pareça ser algo
interessante, na prática isso é muito chato. Primeiro porque o
personagem é extremamente lento, fazendo com que você mais assista à
luta do que comande de verdade. Você aperta um botão e espera alguns
segundos para que ele, enfim, mexa o braço. Outro golpe e mais um tempo
de espera.
Como se não bastasse, o "Cabeça de Balde" também é muito forte, o que
cria um desequilíbrio absurdo nos combates. Em alguns casos, basta um
único ataque para que o adversário seja derrotado, o que faz com que
tudo fique sem graça rapidamente. A inexistência de um controle de
dificuldade só piora isso, já que um ajuste por níveis poderia trazer um
pouco mais de desafio.
Um ataque ao bolso
Comprovando todos os meus medos, Ultimate Marvel vs. Capcom 3 não deixa
escapar a imagem de que se trata de um grande DLC vendido como jogo
inédito. Com exceção das melhorias apresentadas anteriormente, tudo é
idêntico ao que existia em Fate of Two Worlds. É aí que entra a
pergunta: era mesmo preciso lançar um novo game ou bastava liberar a
atualização para download?
O problema é que isso vai além da simples questão financeira. Como não
há interação entre MvC 3 e sua versão Ultimate, há uma divisão perigosa
entre os jogadores que optarão pelo novo título e por aqueles que não
querem pagar por um jogo que já possuem. Sendo assim, ao invés de criar
um ambiente online mais rico e que unisse todo o tipo de público, a
Capcom fez uma separação desnecessária.
Vale a pena?
A grande pergunta que resta é: vale a pena pagar R$ 200 por 12
personagens? Se você já possui Fate of Two Worlds e não for um fã louco
por algum dos estreantes, a melhor coisa a ser feita é esquecer a versão
Ultimate e continuar se divertindo com o game que você tem em casa.
Apesar de os novatos serem divertidos, a estrutura básica do game é a
mesma, o que torna seu lançamento independente algo totalmente
questionável.
Contudo, para quem está chegando ao mundo do crossover agora, Ultimate
Marvel vs. Capcom 3 é uma ótima pedida, já que o título traz todos os
acertos de seu antecessor, além de outras melhorias. Agora é torcer para
que não venha uma edição “Turbo Champion Remix”.





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