quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Análise atrasada até demais: Rayman Origins

Há quem diga que a magia envolvente dos jogos da era 2D se resumiu a uma repetição enfadonha de botões quando comparada aos desafios apresentados pela geração atual. A Ubisoft, porém, decidiu apostar no estilo e lançou Rayman Origins com o intuito de apresentar a criatividade, tecnologia e habilidade que estavam faltando a um jogo de plataforma. Será que a desenvolvedora conseguirá aprovação sob o escrutínio de um público tão opinativo?

Um pouco sobre Rayman

Mesmo antes da sub-série Raving Rabbids, a franquia Rayman se caracteriza por mesclar aventura e diversão de forma leve e hilária. O mundo maluco criado pelo diretor de arte Michel Ancel deixa aquela curiosidade sobre o que esperar nas próximas fases e motiva o jogador a continuar, enquanto a jogabilidade de plataforma se assemelha ao que há de melhor nos jogos do gênero.

Rayman é uma clássico mascote da década de 90, conhecido tanto pela falta de alguns membros do corpo como por seu temperamento forte. O novo título, Rayman Origins, faz referência ao que seria o enredo: a origem de Rayman e sua tripulação. Assim como seus antecessores, porém, os diálogos são desconexos e compostos, em grande parte, por frases engraçadinhas mas de pouca relevância.
Com a possibilidade de até quatro jogadores simultâneos, é necessário coletar o maior número de Electoons – pequenas criaturas rosas e benevolentes – para que elas façam o cabelo de Rayman crescer e ele possa criar uma ponte de cabelo para seu mundo. Como é possível notar, o enredo toma certa licença poética, mas o que importa é que Rayman está em uma missão e frangos, ninjas, peixes briguentos e monstros descontentes tentarão tirá-lo do sério durante sua jornada.

Não deixe um enredo sem sentido te enganar

O pano de fundo nonsense não ofusca o brilhantismo de Rayman Origins. Conforme se joga, a originalidade imposta em cada fase se torna evidente. Nada de tijolinhos que se quebram ou buracos que cospem bolas de fogo. A Ubisoft soube utilizar o potencial gráfico disponível atualmente para criar paisagens exuberantes e extremamente criativas, como lugares onde será preciso pular em melancias flutuantes sob um lago de ponche de frutas e desviar de feijões malucos que saltam de latas de chilli, por exemplo.
Toda a ação acontece sob cativantes músicas de fundo, diálogos bizarros e um toque de bom humor dos produtores. Pode-se destacar a mudança apropriada das vozes em fases aquáticas e algumas exclamações em coro, seja de surpresa – “oooh!” – e tristeza – “aaah!” que se ouve durante determinadas situações do jogo. Tais efeitos sonoros em nada influenciam o decorrer da história e estão ali apenas para dar uma dose extra de descontração.

Jogabilidade e bom humor

Como beleza não põe mesa, de nada adiantaria todo esse empenho em construir um belo visual se a jogabilidade deixasse a desejar. A Ubsoft balanceou esse quesito com maestria. Esqueça qualquer preconceito sobre apenas correr e pular nesse thriller linear. No início, Rayman está de fato limitado a habilidades simples, porém elas vão aumentando e se modificando a cada fase. Há uma infinidade de itens especiais e artimanhas que o mascote irá utilizar no decorrer do jogo, desde correr pelas paredes até possuir um cabelo de hélice que o faz voar. O fluxo de novas habilidades e o requinte de suas funcionabilidades são muito adequados e mostram que existem grandes ideias para o gênero fora dos estúdios da Nintendo.
A campanha solo é surpreendente por todos os quesitos já descritos, mas se intensifica na presença de dois ou três amigos dividindo a mesma tela em um cooperativo offline. Chutar alguns traseiros através destes ambientes exuberantes enquanto os jogadores ficam rindo à toa e se estapeando para assumir a liderança é simplesmente cômico. Ainda que não haja fases específicas para o modo multiplayer, a experiência de Rayman Origins é definitivamente ampliada na jogatina em grupo e merece destaque por prezar pelo bom humor até nas disputas mais acirradas.

Rayman Origins é um jogo de plataforma tão lindo quanto divertido. As cores vibrantes geram um caos fantástico quando somadas a uma animação extremamente suave e repleta de diálogos cômicos. A jogabilidade mantém o alto nível com uma sucessão de ideias criativas, típicas dos grandes jogos de plataforma.

Rayman Origins é um jogo direcionado ao público casual, mas, assim como Mario, também fará com que os mais durões combatentes de guerra relembrem o que os motivou a gostar tanto de videogames.

Fonte: OuterSpace

Via GamePower

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