X-Men Destiny é um jogo que até tem boas ideias. Detém uma boa representação do universo de personagens da Marvel, materializa em um sistema de progressão algo próximo do role play, desenvolve ação em porções satisfatórias e o argumento coloca o jogador numa perceptiva diferenciada ao levá-lo a aproximar-se da categoria dos mutantes, uma espécie de seres humanos capazes de proezas especiais. Tudo isso conjugado com os personagens X-Men da Marvel. De um ponto de vista geral a representação da ideia para Destiny até que é capaz de resultar e como tal nunca se sentirão realmente perdidos, apesar do pálido registo da obra.
O problema torna-se muito claro quando chegamos aos específicos pontos do jogo e percebemos o estado algo primitivo e cru dos cenários, dos personagens e das figuras X-Men cuja intervenção passa pelo auxílio. Até podemos dizer que X-Men poderia ser um jogo bastante razoável e para se levar mais a sério se os produtores tivessem cumprido um esforço em gerir o substrato do jogo, dando relevo e dimensão aos protagonistas.
O que mais uma vez nos parece muito claro é que a “deadline” para a conclusão de certos projetos continua espalhando dificuldades e dando uma machadada quando está em causa uma legitimidade e aspiração genuína de um grupo de produtores dispostos a alcançar um compromisso que possam ir ao encontro dos fãs. E o exemplo de Batman Arkham City é muito claro. Uma representação extraordinária do herói oriundo das trevas, cuja transposição para o cinema e agora para os jogos tem resultado num somatório de sucessos.
Como já disse, X-Men Destiny até beneficia de uma premissa interessante e de um “gameplay” dinâmico, que depressa coloca o jogador num estado de progressão constante através dos poderes que vai gerindo (X-gene e mutants), mas a execução do mundo e dos personagens tende a desmoronar todas as pretensões de um jogo algo ambicioso e propício a estabelecer uma interpretação diferenciada do universo X-Men.
Os fundos e cenários são na esmagadora maioria mais simples e vazios do que vimos em Earth Defense Force. As animações são muito pobres e isso é bem visível nos personagens, principalmente nos heróis X-Men que dialogam com o nosso personagem como se estivessem prisioneiros de algum efeito que lhes condicione o movimento. Em combate ainda os vemos gerir os golpes que lhes emprestaram notabilidade nos “comics”, mas o quadro visual tende a ser bastante batido como se estivéssemos num jogo da geração anterior.
O motivo para a reunião dos X-Men tem por base a morte de Charles Xavier. A paz fora restabelecida entre os humanos e os mutantes, mas aquilo que parece ter sido um plano levado por Magneto para voltar a instalar a desordem e a guerra acaba por nos levar ao fundo da questão até algo bem diverso. Assim, a guerra emerge e os X-Men voltam a ser chamados à titularidade do combate, requisitando a ajuda possível dos mutantes.
É importante sublinhar, de resto, que o jogador não irá comandar efetivamente os personagens do universo da Marvel. Os X-Men terão um papel auxiliar predominante, mas o jogador irá controlar três personagens denominadas mutantes. Poderão escolher entre três personagens. Aimi Yoshida é japonesa que afastada dos pais devido à sua condição de mutantes, considerados como refugiados e sujeitos a determinadas privações. Haverá ainda outras duas personagens, Adrian Luca e Grant Alexander. Assim que escolherem um personagem terá acesso aos receptivos poderes. Para alguns, a transformação é uma descoberta e será também sobre essa condição que irá tocar o argumento.
Esses poderes não são mais do que uma forma de energia que tanto pode variar entre projeção, golpes especialmente desenvolvidos e poder de densidade, tudo dentro dos golpes especiais. Mas este é apenas o ponto de partida para um sistema adequado a favorecer uma progressão entre os poderes disponíveis através da acumulação de pontos de experiência, trocados depois por novos poderes.
O combate é fundamental e haverá arenas repletas de inimigos com indicação de quantos terão de ser eliminados antes de seguir em frente. A luta contra os “purifiers” será uma constante, mas também haverá mais espécies de inimigos assim como um confronto com os bestiais bosses. Essas habilidades que podem ser melhoradas no quadro dos “X-genes” tanto podem ter uma vocação ofensiva como defensiva e estão escalonadas até 4 níveis.
É possível estabelecer depois uma combinação e ordem entre esses ataques até ao ataque especial, que garante uma maior quantidade de dano, mas que também pode servir uma melhor proteção, dependendo das combinações e tipo de poderes que tenham escolhido. Trata-se de um mecanismo que garante uma constante evolução do personagem, tornando-o mais capaz de combater perante adversários de superior envergadura. O jogo deixa até alguns alertas sobre a condição do personagem antes de avançar para o combate, mas neste respeito o sistema está relativamente bem pensado.
Pelo meio haverá que decidir e tomar opções. O diálogo é uma constante em diversos momentos do jogo, mas aqui o sistema está longe de cativar o jogador para uma trama que por vezes ainda dá sinais de alguma chama. Por norma existe um quadro na parte inferior esquerda da tela com tópicos sobre os temas a inquirir. Muitos desses tópicos são passáveis e a forma estática como os personagens conversam tornam a conversa altamente aborrecida, ao ponto de mais à frente selecionarem constantemente a opção “goodbye” assim que se abre uma nova porta para o dialogo. Isto porque é tão grande a ausência de substrato dos personagens que o jogador acaba por se sentir meio desorientado.
Mas, além disso, haverá momentos em que serão chamados a decidir entre se tornarem um bom ou um mau mutante. As opções não marcam um desfecho definitivo. E aqui tanto poderão tirar partido do grupo ligado a Magneto como juntarem-se aos X-Men. A escolha operada irá proporcionar uma missão diferente tendo por finalidade outros objetivos. No fundo essa é a maior alteração já que o corpo da missão continua sendo sensivelmente similar embora ofereça outros “bosses”.
Por outro lado mesmo que escolham outro personagem não haverá um grande desvio na narrativa. As motivações pessoais permitem um conhecimento diverso, mas o rumo do jogo será idêntico, até mesmo em termos de evolução da campanha. A campanha principal não excede a meia dezena de horas e não sobram grandes motivos para voltar a repeti-la.
Oriundo da Silicon Knights, que já brindou o mercado com outras propostas bem mais convincentes, X-Men Destiny é um jogo parcialmente falhado. Tem algumas boas ideias, mas fica longe de executá-las da melhor forma. Nem será tanto pela fraqueza gráfica que o jogo fica perdido. É possível encontrar até alguns méritos no esquema de evolução de personagem e combates, mas tudo conjugado fica tão aquém do que é o padrão normal nos dias que correm para um RPG de ação, que é impossível não sentir um grande desapontamento.
Fonte: Eurogamer.pt
Via Game Power





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