sábado, 22 de outubro de 2011

Análise: Ratchet & Clank: All 4


A ideia de fabricar um Ratchet & Clank assente numa vertente cooperativa nem é propriamente inédita no já vasto repertório da série. Alguns jogos já permitiam a opção para dois jogadores, ainda que em termos muito limitados. Afinal, o objetivo passava por manter a experiência numa linha de progressão individual.
Por outro lado a série R&C desde os tempos do PS2 que se desmultiplicou por um conjunto de linhas como forma de acomodar diferentes experiências. Ratchet & Clank: All 4 One marca essencialmente uma virada e um novo rumo que a Insomniac quis apontar. Sem ser inteiramente novo nos seus propósitos, a confiança com que ataca dentro do co-op on-line e off-line é suficientemente refrescante para merecer a atenção dos fãs.
Com efeito, é grande a distância que separa este jogo da linha principal. Oferecendo uma perspectiva mais alargada e isométrica para abarcar quatro protagonistas simultaneamente, mantendo um aspeto visual picante, reforçado pela abundância de ritmo e ação frenética na tela. Há objetos para todos os personagens interagirem, sem esquecer os elementos estratégicos que permitem manter vivo algum camarada que não tenha sido tão afoito e cuidadoso na abordagem aos inimigos.
O arsenal à disposição (obtido progressivamente) tende a emprestar uma variedade e ritmo saudável dentro das plataformas. Há soluções e aparelhos novos que garantem entusiasmo e alguma perícia na sua utilização, mas a verdade é que desde muito cedo que alguns poderão sentir a ausência do espírito familiar da série que sempre valeu pela atenção colocada nos dois protagonistas. Os cenários continuam preenchidos e vistosos visualmente, mas estão claramente construídos de modo a favorecer a experiência multiplayer. Além disso, não é um jogo muito difícil. Selecionar os alvos é um processo simples e muito automático, pelo que devem concentrar atenção em termos de cobertura e fugir ao padrão de ataque dos inimigos.

On-line a qualquer altura

O bom de Ratchet & Clank: All 4 One é que não coloca grandes dificuldades para juntar quatro jogadores. A reunião de colegas no sofá é uma boa opção se não estiverem preocupados com ligação à rede. Podem escolher entre Ratchet, Clank, Qwark e Dr. Nefarius e se tiverem desbloqueados novos objetos e armas poderão fazer uma repartição do armamento assim que acabarem de escolher os personagens. Como alternativa poderão jogar em “single player” controlando Ratchet, ao mesmo tempo que Clank cumpre a sua função por intermédio da inteligência artificial. Esta interação é já suficiente para perceber como as armas funcionam e se desenvolve a parceria entre os vários personagens. Poderão até completar esta aventura jogando individualmente, mas a piada está em ter mais personagens criando confusão e muitas explosões. A entrada e saída no jogo é bastante facilitada e isso pode acontecer a qualquer altura sem grandes interrupções.
A história de Ratchet & Clank: All 4 One traz de volta o Dr Nefarius. Começamos combatendo um monstro colossal que o próprio despertou e que de imediato lançou o caos pela cidade. Ratchet lançou-se na sua perseguição, seguindo-lhe o rasto até o deter, mas a história muda de figura quando os 4 são raptados por uma misteriosa criatura que os transporta e coloca reféns num planeta chamado Magnus. A forma como a história é contada obedece ao propósito da junção entre os 4 personagens, pois mesmo que joguem em termos individuais, os restantes dos personagens entram nas cut-scenes.
Nesse planeta Magnus há mais criaturas. Também elas foram raptadas para aquele local misterioso. Muitas delas poderão ser colecionadas pelo Ratchet usando um aparelho aspirador. Isto é útil para desbloquear certos objetos. Mas também há caixas de parafusos. Estes, como se sabe, representam o elemento monetário que permite aceder a novas armas e dar-lhes uma configuração mais ofensiva usando alguns acessórios.
No fundo o reforço bélico é essencial para que os quatro possam superar os diferentes desafios. Ratchet & Clank: All 4 One sendo majoritariamente um “shooter” de plataformas em terceira pessoa proporciona diferentes fases de ação. Para lá dos combates através das armas de fogo, haverá seções compostas por veículos e movimentação sobre carros, sendo adições que geram diversidade e uma alternativa à progressão mais rotineira dentro dos níveis.
Contudo, o combate sofreu também alguns ajustes neste jogo focado no multiplayer. Por um lado a seleção das armas passou a ser feita através do “stick direito”, enquanto que os alvos são definidos de uma forma automática. O “upgrade” não se opera de acordo com a utilização das armas, mas de acordo com as aquisições no “shop”. Em termos de utilização também se registram alterações. Disparar constantemente para o mesmo alvo, juntamente com um colega vai permitir um aumento de danos no adversário e aniquilar-lhe a vida mais depressa. Os novos equipamentos garantem algumas soluções inéditas como a projeção corporal dos personagens na direção de certos alvos e até será útil para ultrapassar plataformas mais distantes.

Cenas Frenéticas

Explorar o planeta não é tão recompensador como acontece nos jogos da série principal. Não só pela formação mais linear e sequencial das áreas de jogo, mas também pela ausência de colecionáveis. Continuam os blocos de vida e os parafusos, emparelhados em caixas que podem ser facilmente arrebentados e as munições abundam nos locais assinalados para o efeito. Isto pode ser algo desconsolado para os fãs, mas o que se perde em termos individuais é recuperado em alguns momentos mais intensos, onde facilmente converge a ação, como aquele em que os quatro personagens se apoderam de 4 pesados postos de artilharia e atacam em simultâneo as investidas do adversário. É um festim visual dentro de um ritmo frenético de pontaria.
Depois há também um conjunto de desafios que testam a ajuda dos participantes, envolvendo-os em segmentos que exigem uma coordenação de movimentos realizados, como o transporte de criaturas ao longo de um percurso que deverão construir para que a mesma não caia num abismo.
Ratchet & Clank: All 4 One é um bom desafio do ponto de vista do multiplayer. Adiciona uma série de desafios originais ao espírito da série, mas também se afasta dos conteúdos primitivos. Esse afastamento redunda numa experiência mais linear e vocacionada para o permanente combate que tanto pode ser aproveitado na ligação on-line ou fora dela. Se permanecerem como indefectíveis fãs da série, não se importam de ter uma experiência mais leve e pretendem partilhar a aventura com mais colegas, então aceitem o desafio e não se esqueçam que é “um por todos e todos por um”.
Fonte: Eurogamer.pt

Via GamePower

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